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Cadernos · nº 2 5 min de leitura

Questionário não é gestão.

O Ministério do Trabalho não exige nenhum questionário específico, e diz com todas as letras que aplicar um não comprova a gestão de riscos. O que ele pede no lugar.

Quando a parte psicossocial entrou na NR-1, a resposta mais rápida do mercado foi o questionário: um link, algumas dezenas de perguntas, um relatório com gráficos. É útil, e muitas vezes é o melhor jeito de ouvir uma empresa inteira. Mas o Ministério do Trabalho foi claro: sozinho, ele não comprova que a empresa gerencia os riscos.

Questionário é obrigatório?

Não. O Manual do GRO diz que não é obrigatório usar uma metodologia ou ferramenta específica, e o MTE não indica nenhuma.1NotaManual do GRO, item 17.1.1; Guia de fatores psicossociais, FAQ 4; Perguntas e Respostas, Q8 e Q9. Métodos qualitativos e participativos, como grupos, entrevistas e observação do trabalho, também são aceitos.

O porte da empresa pesa na escolha. Em empresas com centenas de empregados, o Manual considera mais adequado usar uma pesquisa que alcance todos os setores, ou combinar estratégias.

Se a empresa usar um

Duas condições aparecem no Manual:

  1. O instrumento precisa ter validação científica e respaldo de instituições de saúde e segurança do trabalho.
  2. Quem aplica precisa saber o que está fazendo.

Aplicar um questionário sem o devido preparo não é gestão de risco. MTE, Manual do GRO, item 17.1.1

O anonimato também é condição: sem ele, o resultado não reflete o que as pessoas vivem.2NotaVeja o caderno Anônimo de verdade, sobre o corte de 10 respondentes por grupo.

Na Anamnese do Trabalho, o questionário é o COPSOQ II na versão brasileira validada, que avalia condições de trabalho, e não sintomas.3NotaGonçalves e colaboradores, Revista de Saúde Pública, 2021. A versão curta tem 40 itens e cobre, entre outros, demandas, influência no trabalho, clareza de papel, reconhecimento, apoio e justiça.

O que o questionário não mostra

As Perguntas e Respostas do MTE dizem que o resultado do questionário precisa ser analisado e incorporado ao inventário de riscos ou à avaliação ergonômica preliminar.4NotaP&R do MTE, Q2 e Q10. E descrevem o que a fiscalização vai olhar além dele:

  • se a análise faz sentido para aquela empresa e está integrada ao GRO (Q14);
  • se as medidas foram implementadas de fato, seguindo a hierarquia de controles;
  • se houve participação dos trabalhadores;
  • se cada medida tem responsável e prazo, e se há acompanhamento (Q15).

Um percentual alto numa dimensão diz que há algo ali. Não diz o quê. Se o problema é a meta, a escala, a liderança ou a falta de pausa, isso aparece na conversa com quem faz o trabalho e na observação dos turnos.

Na prática

O questionário é uma parte do método, não o método. Ele entra na primeira etapa, a Anamnese, junto com grupos de escuta em todos os turnos, entrevistas com lideranças e a leitura dos documentos. Na segunda, o Exame, o que foi ouvido é cruzado com os indicadores agregados da empresa. Só depois disso vem o inventário.

Para conferir o seu PGR

A autoavaliação do PGR psicossocial tem uma pergunta específica sobre isso: se o resultado do questionário entrou no inventário.